Grupo reflexivo e socioeducativo com homens autores de violência contra as mulheres - um diálogo possível

Resumo

A violência contra a mulher é amplamente discutida e reconhecida em várias esferas da sociedade, envolvendo questões culturais, valores, masculinidade e patriarcado. No Brasil, a Lei Maria da Penha aumentou a visibilidade dessa questão. No entanto, o número de agressões às mulheres continua alarmante, configurando-se como um grave problema de saúde pública. É necessário desenvolver ações direcionadas tanto para as mulheres quanto para os agressores. Nessa perspectiva, buscou-se, neste trabalho, subsidiar a elaboração de um material educacional voltado para a condução de grupos reflexivos com homens que cometem violência doméstica, visando reduzir os índices de violência de gênero. Para isso, foi realizada uma revisão integrativa da literatura sobre a violência contra a mulher e o trabalho com agressores. Os dados foram analisados e organizados considerando-se duas categorias: violência contra a mulher e a questão de gênero em relação aos grupos reflexivos como estratégia de enfrentamento da violência. A análise revelou a necessidade de fortalecer a ação dos profissionais em rede para combater a violência contra as mulheres, colaborando para a desconstrução do patriarcado e promovendo a isonomia nas relações entre homens e mulheres. Para ampliar os dados, foi conduzida uma pesquisa de campo com profissionais que trabalham com grupos reflexivos de agressores, utilizando a técnica de grupo focal para facilitar os diálogos. A análise dos discursos destacou a importância de abordagens multidisciplinares e da participação de toda a rede de cuidado. As discussões corroboram a necessidade de integrar homens aos processos de desconstrução do machismo estrutural que sustenta o ciclo da violência. Finalmente, foi elaborado um guia prático de orientação para profissionais que atuam de forma multidisciplinar em grupos reflexivos e socioeducativos com homens autores de violência doméstica. Esse guia oferece diretrizes estruturadas, com orientações técnicas e teóricas, para nortear a atuação dos profissionais. A validação do guia foi realizada por cinco especialistas da área — uma psicóloga, três assistentes sociais e um advogado com vasta experiência — utilizando o método Coeficiente de Validade de Conteúdo (CVC), resultando em uma média de 0,99. O guia foi, portanto, considerado um excelente recurso educacional para auxiliar os profissionais multidisciplinares.

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