Corpo-território e dança: construção de saberes pós-coloniais na educação física escolar em tempos de currículos monoculturais e padronizados
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Resumo
Desenvolveu-se esta dissertação em colaboração com o Programa de Mestrado
Profissional em Ensino em Ciência da Saúde e do Meio Ambiente, tendo como
objetivo compreender como o pensamento abissal influencia a produção do currículo
da Educação Física Escolar do município de Volta Redonda – RJ, propondo a criação
de uma sequência didática com perspectiva antirracista e descolonial. A justificativa
para o estudo encontra amparo na necessidade de implementar a Lei 10.639/03 que
obriga as escolas de Ensino Fundamental e Médio a ensinarem história e cultura afro brasileira. Passados mais de vinte anos dessa lei, ainda há escolas que se isentam
dessa responsabilidade. Desse modo, o estudo abarcou o debate sobre o racismo
estrutural que violenta as pessoas negras e todo o seu referencial afrodiaspórico.
Portanto, parte-se, nesteestudo, da compreensão de que a modernidade
fundamentou a criação de uma linha abissal que privilegiou determinados
conhecimentos em detrimentos de outros saberes, produzindo apagamentos e
epistemicídios. O percurso teórico metodológico se desenvolveu a partir da
aproximação aos estudos do cotidiano, especificamente por meio das seguintes
ações: a análise da Base Nacional Comum Curricular e seus desdobramentos no
documento orientador do município de Volta Redonda; o mergulho nas práticas
cotidianas do referido município; a pesquisa-ação na aplicação da sequência didática
e, por fim, a validação do produto com especialistas. Os resultados permitiram
perceber o pensamento abissal ainda presente nos documentos que direcionam a
Educação em nível nacional e municipal no Brasil. Considerando as evidências
encontradas na pesquisa, desenvolveu-se uma Sequência Didática considerando-se
a pedagogia da encruzilhada como referência. Além disso, consideraram-se os Anos
Iniciais do Ensino Fundamental para a elaboração do produto educacional,
apresentando como referência a dança negra e a dança afro, que permitem perceber
a potência da dança enquanto conteúdo da Educação Física escolar capaz de
implementar e promover o enfrentamento ao racismo estrutural.