Do espetáculo à extimidade: gênero e retrato midiático das mulheres na era digital

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Este Trabalho de Conclusão de Curso investiga como o jornalismo e as redes sociais constroem e desconstroem a imagem pública de mulheres na cultura das celebridades, com foco analítico no caso da atriz Amber Heard. A pesquisa parte do julgamento por difamação movido por Johnny Depp contra Heard, evento que mobilizou ampla cobertura midiática e intensa repercussão digital, transformando a intimidade do ex-casal em um espetáculo de consumo global. O objetivo é compreender como a lógica do espetáculo, teorizada por Guy Debord, e a noção de extimidade, desenvolvida por Paula Sibilia, convergiram com dinâmicas de gênero para produzir discursos misóginos, julgamentos morais e práticas de cancelamento. A hipótese central sustenta que o tratamento dispensado a Amber Heard foi o resultado de um processo estruturado, no qual a espetacularização de sua intimidade, amplificada por lógicas algorítmicas, ativou discursos de ódio preexistentes, culminando em um veredito midiático que se sobrepôs à deliberação do júri. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, com análise de conteúdo e análise do discurso de inspiração foucaultiana, aplicada a reportagens, publicações em redes sociais e memes. O trabalho conclui que o caso é emblemático para a compreensão dos mecanismos de poder que operam no ecossistema comunicacional, revelando os padrões de controle social e de gênero na era digital e sinalizando um perigoso retrocesso para os avanços do movimento #MeToo.

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