Achados eletrocardiográficos relacionados ao uso de antraciclinas no tratamento oncológico: uma revisão sistemática
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Resumo
Introdução: As antraciclinas são drogas antineoplásicas de ampla utilização na oncologia. No
entanto, a cardiotoxicidade tem se mostrado um efeito colateral importante neste grupo de
fármacos e isso vem sendo tema de estudos atuais, principalmente em relação a exames
preditores. Entre eles, o eletrocardiograma (ECG) possui bom custo benefício e
disponibilidade, porém, necessita de maior validação científica para esse fim. A presente
revisão sistemática objetiva identificar achados eletrocardiográficos que o justifiquem como
método de rastreio. Metodologia: Revisão sistemática utilizando bases de dados digitais
(Scielo, PubMED, Medline, Cochrane e Lilacs) no período de 2010 a 2020 e submetidos ao
protocolo Prisma. Resultados: Após avaliação, foram selecionados 9 artigos, incluindo 3
revisões sistemáticas e 6 estudos de coorte prospectivos. Discussão: No ECG, a
cardiotoxicidade gerada pelas antraciclinas pode variar de mudanças na frequência cardíaca
até arritmias graves, como torsade de pointes. Os achados mais frequentes incluem
encurtamento do complexo QRS e prolongamento do intervalo QT corrigido (QTc). Esses
efeitos dependem da dose acumulada, da formulação e da forma de administração dos
fármacos, assim como de alguns padrões genéticos específicos. A dosagem da albumina
modificada por isquemia (IMA) pode ser utilizada em conjunto com o ECG para se obter
maior acurácia no rastreio da cardiotoxicidade. Muitos fármacos associados às antraciclinas
em esquemas terapêuticos também possuem efeito cardiotóxico comprovado e isso pode
interferir nos resultados dos estudos com antraciclinas. Conclusão: Os achados
eletrocardiográficos mais importantes incluem estreitamento do complexo QRS e um
prolongamento do intervalo QTc. Apesar dos achados serem estatisticamente significantes, o
método não apresentou sensibilidade suficiente para ser utilizado como principal método de
rastreio, podendo ser utilizado como exame complementar, principalmente quando associado
a dosagem da IMA.