O fluxo sanguíneo cerebral na sepse e sua regulação: uma revisão narrativa
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Resumo
Sepse é uma condição ameaçadora à vida causada por respostas desreguladas do
corpo frente à uma infecção. Aproximadamente 30 milhões de pessoas são acometidas
por essa condição anualmente e 6 milhões evoluem para óbito. A desregulação
sistêmica pode causar danos a órgãos vitais e, portanto, é importante conhecer quais os
mecanismos fisiopatológicos estão envolvidos nesse processo. O cérebro é susceptível
às descompensações hemodinâmicas frequentemente vistas em pacientes sépticos. Por
conseguinte, métodos que avaliem diretamente a agressão ao cérebro são
constantemente estudados. Essa revisão narrativa tem o objetivo de analisar as
evidências sobre as alterações do fluxo sanguíneo cerebral e da autorregulação cerebral
em pacientes acometidos por sepse, assim como discutir possíveis complicações
associadas. Foram buscados artigos na plataforma PUBMED utilizando-se os
descritores “cerebrovascular circulation” e “sepsis”. 11 artigos foram incluídos nesse
estudo após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão. Os métodos de avaliação
cerebral mais utilizados foram o doppler transcraniano, a ressonância magnética com
arterial spin labeling e o near-infrared spectroscopy. Através destes métodos foi possível
avaliar a velocidade do fluxo sanguíneo cerebral, o index de pulsatilidade, índices que
estudam a autorregulação cerebral e a saturação de oxigênio cerebral nos pacientes
com sepse. Pacientes sépticos apresentam redução na velocidade do fluxo sanguíneo
cerebral e maiores índices de pulsatilidade quando comparados a pacientes hígidos. A
elevação desse último parâmetro e a alteração da autorregulação cerebral parecem
estar associadas à delirium, encefalopatia e disfunções cerebrais. Também se notou que
a saturação de oxigênio cerebral se encontra diminuída nos pacientes sépticos. Eles
também apresentam menor capacidade de autorregulação cerebral do que pacientes
hígidos. Apesar desses achados, mais estudos são necessários para elucidar a acurácia
dos métodos empregados nos estudos e a real fisiopatologia das alterações cerebrais
na sepse.