Ensino da dor mediado por atividade lúdica para graduandos do curso e fisioterapia

Resumo

A neurociência contemporânea da dor impulsiona um debate científico e atual, abrangendo o campo clínico e introduzindo novas definições e classificações. A partir de maio de 2019, a dor crônica foi incluída na Classificação Internacional de Doenças (CID-11), com enfoque nas bases neurofisiológicas. A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP) formou uma força-tarefa global que redefiniu a dor, considerando que a abordagem por mecanismos neurofisiológicos é considerada, teoricamente, superior em relação a tratamentos baseado em sinais e sintomas. Autores como Clifford Woolf e Mitchell Max enfatizaram, há mais de duas décadas, a relação da dor com disfunções do sistema nervoso, transcendendo lesões teciduais. As definições atuais propõem que “agora sabemos que alguns tipos de dor, embora não estejam associados a lesão tecidual, estão associadas a disfunções do sistema nervoso”, promovendo o entendimento pautado em uma ampla conceituação que considera múltiplas possibilidades biológicas (incluindo o sistema nervoso e cérebro) e influências psicossociais, dentro de um modelo complexo e multidimensional em saúde, o modelo biopsicossocial. A avaliação por mecanismos neurofisiológicos (neuropático, nociceptivo e nociplástico) permite abordagens individualizadas, ultrapassando paradigmas patoanatômicos e cinesiopatológicos. Ignorar esses mecanismos prejudica a orientação da reabilitação conforme proposto pelas pesquisas atuais. Uma lacuna entre a geração, divulgação científica e aplicação clínica surge. Daí a proposta de um recurso educacional inovador: o QuestionaDor. Trata-se de um jogo interativo, destinado a alunos de fisioterapia do último ano, visando aprofundar o estudo das evidências atuais sobre dor de maneira envolvente e lúdica. O estudo é exploratório e quali-quantitativo, visando alunos de Fisioterapia no último período de uma instituição no interior do Rio de Janeiro. Espera-se que esses participantes adquirirão maior habilidade diagnóstica e prognóstica ao ingressarem no mercado de trabalho, favorecendo a adesão aos tratamentos. O produto educacional busca aliviar dificuldades na compreensão dos mecanismos neurofisiológicos da dor, aumentando a confiança e precisão dos futuros fisioterapeutas em sua abordagem com essa condição.

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