Cuidados nutricionais na hemodiálise: proposta de cartilha para orientação destinada aos pacientes
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Resumo
A proposta da presente dissertação baseia-se na percepção da necessidade de um
produto educacional sobre alimentação direcionado a pessoas com doença renal
crônica em tratamento de hemodiálise, que dialogue com essa população,
proporcionando melhor entendimento das recomendações necessárias. O objetivo
do presente constructo foi elaborar uma cartilha de orientação nutricional destinada
a auxiliar na educação nutricional dessas pessoas, bem como realizar uma revisão
da literatura apontando as principais alterações nutricionais necessárias, verificar as
principais dificuldades apontadas por nutricionistas para realização das orientações
nutricionais a esses indivíduos, averiguar o entendimento das pessoas com a
doença sobre os alimentos e nutrientes envolvidos no tratamento da hemodiálise,
construir um produto educacional oriundo das observações e apontamentos, e
validar o produto construído. O percurso metodológico foi delineado em cinco
etapas: (i). revisão narrativa da literatura; (ii). pesquisa com nutricionistas; (iii).
pesquisa com pacientes em hemodiálise; (iv). elaboração do produto e; (v).
validação por juízes. Foi aplicado um questionário com nutricionistas que trabalham
exclusivamente com pessoas em hemodiálise. Um segundo questionário foi aplicado
em pacientes que realizam hemodiálise. Diante das informações obtidas na revisão
da literatura, e de posse dos resultados das pesquisas realizadas com nutricionistas
e pacientes, foi elaborado uma cartilha. Por fim, cinco juízes especialistas leram a
cartilha e analisaram o produto em relação a organização, conteúdo e relevância. A
revisão da literatura apontou que as diretrizes publicadas para doenças renais
crônicas descrevem que, na hemodiálise, faz-se necessário o aumento do consumo
de proteínas, a redução do consumo de sódio, potássio e fósforo. Os 18
nutricionistas entrevistados realizam orientações nutricionais sobre ingestão hídrica
e consumo de fósforo; o consumo de proteína foi o item crítico com maior número de
não orientação realizada. A dificuldade de entendimento por parte do paciente foi o
principal limitante apontado pelos entrevistados. Ficou evidente a associação entre
baixa escolaridade e o julgamento dos nutrientes e/ou alimentos que fazem bem ou
mal por parte dos 68 pacientes participantes. Foram verificadas associações entre
escolaridade e incompreensão dos benefícios ou malefícios das fibras (y = -2,2788;
p = 0,003) e sódio (y = -2,4124; p = 0,011). A maioria (n = 46) afirmou que sabe
como reduzir o teor de potássio dos alimentos, porém, desconhece a forma correta
da técnica para esse processo. Por fim, cinco juízes analisaram a cartilha construída
obedecendo aspectos encontrados nas pesquisas supracitadas. O produto foi
elaborado com auxílio de uma designer para deixar o material mais atrativo. Todos
os juízes consideraram a cartilha excelente, com coeficientes de validade de
conteúdo perfazendo média de 0,99. Espera-se que o produto educacional
produzido sirva de auxílio para pessoas com doença renal crônica em terapia de
hemodiálise, familiares e/ou cuidadores, bem como nutricionistas e demais
profissionais de saúde que trabalham diretamente com esse grupo específico.