"O doutor não me escuta!": ensino do cuidado centrado na pessoa na graduação em medicina

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No século XX, alguns autores iniciaram o processo de reformular o método clínico construído até então, visto que este começou a demonstrar suas limitações devido ao foco exagerado nos processos orgânicos de adoecimento. O objetivo final era alcançar um cuidado mais centrado na pessoa (FREEMAN; MCWHINNEY, 2018). Emerge então uma questão que deve ser objeto de preocupação: o modo como os referidos cuidados são ensinados. O que se pretende com o ensino dos cuidados centrados na pessoa é o desenvolvimento de habilidades e competências que transcendem aquelas relacionadas exclusivamente à dimensão cognitiva. Espera-se que o estudante de medicina desenvolva o que seria essencial ao cuidado, isto é, empatia e outras competências socioemocionais. Neste sentido, a presente pesquisa tem por questão norteadora otimizar o ensino do processo de comunicação clínica para desenvolver o cuidado centrado na pessoa junto a discentes da graduação em medicina. Para isso, realizamos uma pesquisa de campo do tipo observacional analítico transversal, que teve como enfoque os acadêmicos do curso de Medicina do UniFAA em 2023. A amostra foi composta por alunos matriculados no 1º, 5º, e 8º períodos do curso no primeiro semestre letivo 2023. Utilizamos como principal instrumento a escala EOMP (Escala de Orientação Médico Paciente). O presente estudo foi avaliado pelo Comitê de Ética em Pesquisa e obteve aprovação, com CAEE: 64263022.5.0000.5237. Obtivemos 151 respostas válidas, e notamos que a maioria dos alunos foi classificada como “centrada no médico” em nossa forma de análise do questionário EOMP (71,5% do total da amostra), com média geral de 4,36±0,5. Notamos ainda uma tendência para mais resultados classificados como “centrado na pessoa”, no 5º e 8º períodos, em comparação com o 1º. Considerando que outros autores descrevem que atividades de treinamento de habilidades de comunicação são preditores de modelos de cuidados mais centrado no paciente por parte dos alunos (PEREIRA, 2017), concluímos que, além de realizar pesquisas com metodologias mais precisas, é necessário aprimorar cada vez mais o processo de ensino destas habilidades. Partindo destas informações, construímos um produto educacional que consiste em uma sequência didática para estruturar oficinas práticas de comunicação clínica para a graduação em medicina, que utiliza pacientes simulados e vídeo feedback, como estratégias educacionais.

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