Utilização de polipropileno reciclado no desenvolvimento de compósitos reforçados com bagaço de cana-de-açúcar

Resumo

Atualmente é crescente o movimento acadêmico industrial no sentido de desenvolver conhecimento e tecnologias voltadas à produção de materiais compósitos poliméricos enriquecidos com fibras naturais, por diversas razões, incluindo entre elas o fato das fibras serem abundantes, biodegradáveis, terem baixo custo de produção e processamento e atribuírem boas propriedades mecânicas ao produto resultante. Neste trabalho, foram desenvolvidos materiais compósitos a partir de polipropileno reciclado, obtido por meio de coleta doméstica, reforçado com bagaço de cana. Os materiais foram triturados, processados em misturador termocinético e injetados a 300 °C. O bagaço de cana sofreu um tratamento hidrotérmico e as modificações químicas sofridas pela biomassa em virtude do tratamento foram avaliadas via Difratrometria de Raios X (DRX) e Análise Termogravimétrica (TGA). Já os materiais compósitos foram caracterizados por ensaios de Tração e Calorimetria Diferencial Exploratória. Os resultados mostram que a adição de bagaço de cana-de-açúcar à formulação do compósito promove um incremento das propriedades mecânicas. Os compósitos produzidos com bagaço tratado foram os que exibiram os melhores resultados, o compósito com 10% de bagaço tratado apresentou Módulo de Young de 401 MPa, evidenciando um ganho de 35% nesta propriedade comparado ao plástico puro. Na tensão máxima suportada pelo material em tração, o aumento foi de 6,5%. Os materiais compósitos apresentaram menores índices de cristalinidade, sendo o que compósito com adição de 10% de bagaço de cana tratado apresentou 18% de fração cristalina, 4% menor do que o PP puro. A análise térmica mostrou ainda que não houve diferenças significativas nas temperaturas de fusão dos compósitos.

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